segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Projeto Salvaguarda se encerra lançando cartilha educativa


Capa da Cartilha lançada durante seminário
Depois de uma série de debates acerca da tradicional Guerra de Espadas de Cruz das Almas, chegou ao fim as atividades do Projeto Salvaguarda Cultural. O Seminário de encerramento aconteceu no dia 21 de dezembro, e contou com a presença dos participantes das oficinas, e novas pessoas interessadas a ampliar o debate.

Foi lançada durante a atividade a cartilha “A tradição da Festa das Espadas: Caminhos para Regulamentação e Conscientização”. A mesma abordou os seguintes aspectos: Histórico e Caminhos para Patrimonialização; Valor Histórico e Cultural: IPHAN e o IPAC; Caminhos para o registro; Os caminhos jurídicos da legalização; Elementos jurídicos importantes na Festa das Espadas; Arma de fogo ou fogos de artifício? Técnicas conscientes de produção e legalização; Um passo importante: a solicitação do certificado de registro;Locais apropriados de fabrico dos fogos espadas.

A cartilha será distribuída em espaços públicos como escolas, biblioteca municipal, Câmara Municipal, entre outros. Quem quiser conhecer mais sobre essa tradição e as questões envolvendo a proibição da queima das espadas pode consultar o material.

Na ocasião também foi apresentado um Plano de Ação, com estratégias levantas pelos participantes durante as oficinas para reorganização do festejo. Uma delas é criação de associação que tenha como objetivo preservar as manifestações culturais do município, entre elas a espada. Dentre os participantes, um grupo já pretende no mês de janeiro dar continuidade as reuniões para formar a associação e iniciar os passos para o processo de tombamento, bem como outras medidas nos campos jurídicos e cível.

As ações do Projeto Salvaguarda Cultural foram realizadas através do apoio financeiro do Programa de Fomento à Cultura - Fundo de Cultura, e das Secretarias de Cultura e da Fazenda do Governo do Estado.

Grupo que pretende dar continuidade aos debates iniciados durante o projeto
Participantes do seminário de encerramento



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Troca de experiências e saberes durante a oficina de técnicas de produção


Pedro faz desenho para demonstrar sua proposta de espada
As Oficinas de Técnica de Produção e Intercâmbio de Saber Popular aconteceram nos dias 09 e 10 agosto e  tiveram como objetivo reunir os espadeiros para a discussão e definição de um padrão para o fabrico de espada que se aproxime ao máximo de um modelo ideal seguro, sem perder de vista os aspectos culturais e artesanais da arte de fabricá-la. 

A metodologia adotada estabeleceu que cada participante apresentasse a forma como fabrica a sua espada e como acredita ser a maneira adequada de fabrico, os materiais utilizados e o local de fabricação.

Segundo os participantes, a espada produzida em Cruz das Almas é referencia para os outros municípios que também realizam a tradicional queima, como Senhor do Bonfim, Conceição do Almeida, São Gonçalo dos Campos, etc, sendo esta bastante vendida, o que movimenta a economia do município.

Para Pedro, estudante de engenharia que participou da oficina é possível construir uma espada de menor impacto calculando as medidas e quantidades de material a ser utilizado na fabricação.Dessa forma é possível diminuir a gravidade de acidentes.

Muitas alternativas foram apontadas pelos grupos afim de buscarem uma padronização para que a espada se torne mais segura. São ações simples como o uso de recipientes adequados para armazenar a pólvora, o estabelecimento de um tamanho máximo para o diâmetro da espada, cuidados com instalação elétrica no local da produção, entre outros. “É possível controlar a força da espada mediana de modo que não prejudique as pessoas que estão brincando e assistindo a queima das espadas”, afirmou Valdemiro.

Valdemiro apresentando as sugestões do grupo (à esquerda)


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Participantes pretedem transformar a espada em patrimônio imaterial da cultura




"As espadas fazem parte da identidade de Cruz das Almas"


Rafael Peixoto, coordenador do projeto durante a Oficina de Cultura
As oficinas e Cultura e Identidade realizadas no último fim de semana, 26 e 27 de julho, foram espaços para reflexão em torno dos elementos que fazem parte da cultura e identidade do cidadão de Cruz das Almas. Através de desenhos, dinâmicas, para se auto retratar, foi possível notar que a paixão pela tradição das espadas estava presente nas descrições de cada participante das oficinas.Depois dessa percepção do lugar de identidade que espada e sua festa ocupa nas vidas de cada um, num sentido de pertencimento foi momento dos participantes divididos em grupos, pensarem estratégias de como proteger esta tradição que vem resistindo ao longo das gerações.
Cléo Rocha, espadeiro

Uma das sugestão trazidas durante as discussões foi a necessidade manter a tradição de produzir nas casas da cidade. “Sabemos que hoje a produção da espada está proibida, mas desejamos que como medida de segurança seja mantida a prática cultural de cozinhar, secar e enrolar o bambu na porta de casa. E a parte da produção da espada que envolve a pólvora, que é mais perigosa que seja feita em locais distantes de residências, na zona rural”, ressaltou Cléo Rocha, espadeiro.

Pensando ainda na manutenção da cultura, entre as estratégias foi unânime o desejo de tornar a espada enquanto artesanato um patrimônio imaterial da cultura. Para isso os participantes ressaltaram a importância de buscar o apoio de do IPAC e do IPHAN, bem como da Secretaria Estadual de Cultura, a SECULT, que juntamente com o Governo do Estado e o Centro de Culturas Populares e Identitárias dão apoio financeiro ao projeto.





terça-feira, 23 de julho de 2013

Oficinas de direito destacam que juridicamente espada não pode ser considerada arma de fogo

 Fabrício (à direita) interage com os participantes durante oficina

As oficinas de direito e cultura aconteceram nos últimos dias 19 e 20 de julho e tiveram como destaque o debate em torno de ser ou não a espada uma arma de fogo. Os participantes debateram alternativas de organização da festa, baseados em argumentos que contrapõe a caracterização da espada como arma de fogo.

É o que defende o monitor das Oficinas de Direto acerca da polêmica."O Ministério Público equipara a espada à uma arma de fogo, o que  data vênia não merece guarida, até porque, o próprio Estatuto do desarmamento que embasou tal pleito, vai de encontro ao argumento acima suscitado, visto que a referida lei conceitua arma de fogo como objeto que possui por finalidade causar dano a outrem.  Em sua unanimidade os presentes às oficinas afirmaram de forma consensual, que as espadas jamais são fabricadas com o intuito de causar dano a alguém, e que diferentemente das alegações acima, são produzidas com a finalidade de proporcionar alegria e não destruição", afirmou Fabrício Barros, advogado, facilitador da oficina.

Durante as atividades realizadas nas manhãs e tardes destes dos dois dias surgiram diversas sugestões para manter a ordem durante os festejos, uma delas seria a criação de um circuito de ruas onde tradicionalmente se brinca com as espadas, com horários e dias estabelecidos para que a tradição dê continuidade.

O Salvaguarda Cultural tem o apoio financeiro do Centro de Culturas Populares e Identitárias, Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Secretaria de Cultura e Governo do Estado - Bahia, Terra de Todos Nós.









domingo, 2 de junho de 2013

Seminário de abertura deu início às atividades do Salvaguarda Cultural

Mesa de debate: José Rocha, Jânio Roque e Hebert Toledo

Durante o dia 18 de maio aconteceu o Seminário de Abertura do Projeto Salvaguarda Cultural na Câmara de Vereadores do município de Cruz das Almas. O evento teve como objetivo apresentar a cidade o projeto que tem como proposta central discutir de forma participativa os caminhos para legalização da guerra de espadas e organização deste festejo tão importante para a cultura e identidade do município.


O evento possibilitou diversos debates, que deram margem para interpretação da festa das espadas como bem cultural imaterial que merece ser preservado e regulamentado dentro dos parâmetros jurídicos.

Na mesa de discussão estiveram participando os professores Hebert Toledo (UFRB) como mediador do debate, Jânio Roque (UNEB), Euricles Neto da Associação dos Espadeiros, José de Rocha, pesquisador, Fabrício Barros advogado, que faz parte da equipe idealizadora do projeto juntamente com Rafael Barros e Daiane Almeida.

Grupo Bidum
Também estiveram presentes espadeiros, como o grupo Bidum, estudantes que pesquisam o São de Cruz das Almas, equipe que está fazendo documentário sobre o tema, entre outros.

De acordo com o professor Jânio Roque, a festa precisa de um código de condutas para acontecer respeitando os direitos de todos.  “É necessário que aquele que vai brincar tenha consciência no momento da brincadeira, a cidade da guerra das espadas precisa  disciplinar o uso, criar códigos de conduta interna, e não perder de vista que a  festa é um elemento de identidade do município”, afirmou o professor.


Reforçando as falas em torno da importância cultural das espadas para o município, Fabrício Barros afirmou que um dos objetivos finais do projeto é ter a espada como patrimônio cultural junto a órgãos como o IPHAN e o IPAC.  Durante o debate da plenária, os participantes trouxeram diversas contribuições para organização da festa e depoimentos falando da importância desta tradição para as suas vidas.



Os participantes do seminário contribuíram com debate:



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Projeto Salvaguarda irá estimular debate sobre cultura popular

No dia 18 de maio, acontece o Seminário de Apresentação, na Câmara Municipal, com a participação de representantes da sociedade civil, poder público, e espadeiros e adeptos da Guerra das Espadas, festa que faz parte das celebrações juninas da cidade de Cruz das Almas.


A proposta do projeto é analisar a festa da “Guerra de Espadas” na cidade de Cruz das Almas, como manifestação popular tradicional e secular da comunidade cruzalmense  juntamente com seus adeptos, atores políticos, sociais e culturais para propor caminhos e instrumentos para divulgação da sua importância cultural e re-organização, levando em consideração a necessidade de legalização e regulamentação no referido município.

Durante o projeto serão realizados seminários e oficinas com a participação dos sujeitos sociais envolvidos na festa. Temas como Cultura Popular, Identidade, Direito, Saber popular e técnicas do fábrico manual das espadas serão debatidos nas oficinas. O projeto será desenvolvido até mês de abril, sendo uma oportunidade de discutir amplamente aspectos referentes a uma das festa símbolo do município de Cruz de Almas, sua manutenção e preservação nos espaços sociais, de forma segura e legalizada.